A indústria brasileira de celulose e papel é uma das mais competitivas do mundo, graças ao clima e ao solo favoráveis às florestas plantadas e aos investimentos constantes em pesquisa e tecnologia. Em 2025, o Brasil produziu um recorde de 29,4 milhões de toneladas de celulose (alta de 6,9% sobre 2024) e 11,3 milhões de toneladas de papel, segundo a Ibá (Indústria Brasileira de Árvores) [1]. As exportações do setor somaram US$ 14,9 bilhões, o equivalente a 4,3% da balança comercial brasileira [1].
Num setor com esse volume, pequenas variações na umidade do papel viram perdas grandes: energia gasta na secagem, papel fora de especificação e paradas de máquina. Por isso, entender onde a água sai do processo e como medi-la é parte central do controle de qualidade.

Como o papel é produzido: da tora à folha
Os tipos de papel variam conforme o processo e a finalidade de uso, mas a base da produção é parecida. As toras descascadas vão para o picador, que as transforma em cavacos. Os cavacos são classificados e seguem para o digestor, onde a madeira é cozida e as fibras se separam. Depois, a polpa passa por depuração e lavagem e, dependendo da finalidade do papel, por branqueamento. Em seguida vem o refino, e a massa de celulose fica no tanque de massa até seguir para a máquina de papel.
Nessa etapa, a massa é quase toda água. A proporção entre água e fibra varia conforme o processo, mas na caixa de entrada da máquina a consistência costuma ficar abaixo de 1%, ou seja, mais de 99 partes de água para cada parte de fibra.
Onde a água sai na máquina de papel
O objetivo da máquina de papel é retirar água da folha, e ela faz isso em três etapas. Na formação, a água escorre pela tela por gravidade e vácuo. Na prensagem, é removida por compressão mecânica. Na secagem, evapora com o calor dos cilindros secadores aquecidos a vapor.

A formação elimina cerca de 95,4% da água, a prensagem cerca de 3,2% e a secagem apenas 1,4% [2]. Essa última fração é pequena, mas é a mais cara de retirar, porque depende da geração de vapor.
Por que medir a umidade do papel
Manter a umidade do papel dentro da especificação custa caro. Entre os principais custos estão o acionamento da máquina de papel, a energia e o vácuo usados no desaguamento e, sobretudo, a geração de vapor para a secagem. Papel que sai úmido demais perde resistência e pode ondular; papel seco demais significa vapor gasto à toa e folha quebradiça. Medir a umidade com precisão é o que permite ajustar o processo no ponto certo. Veja em detalhe os efeitos dessas variações no artigo controle de umidade do papel: como evitar perdas na produção.
Como medir a umidade do papel
A Marrari oferece soluções para medir e controlar a umidade e, com isso, os custos desse processo. Para medição em linha, o UmiPaper informa a umidade em tempo real durante a produção, com sensor capacitivo. Para medições pontuais, o medidor portátil M71 pode ser usado em papel. Com o apoio da nossa equipe do UmiLab e do Pós-Vendas, é possível criar curvas de calibração exclusivas para o seu produto, para que você tenha o teor de umidade do material na hora, com um valor confiável.
Bruno Daldin Leite
Discente de Engenharia Industrial Madeireira – UFPR.
Técnico do laboratório UmiLab da Marrari Automação Industrial
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Referências
[1] Ibá – Indústria Brasileira de Árvores, dados do setor de árvores cultivadas, janeiro a dezembro de 2025 (com dados de comércio do Comex Stat), publicados pelo Sinpacel. https://www.sinpacel.org.br/wp-content/uploads/2026/04/dados-do-setor-florestal.pdf
[2] Alan Sulato de Andrade e Umberto Klock, esquema da máquina de papel e distribuição da remoção de água por seção.