Entenda como a política comercial dos EUA afeta a cadeia produtiva da madeira no Brasil, o que mudou entre 2025 e 2026 e o que sua serraria pode fazer para reagir de forma estratégica.
Atualizado em outubro de 2026. Este artigo foi publicado originalmente em julho de 2025 e revisado com as medidas em vigor hoje. O tema muda rápido: confirme a classificação fiscal (NCM/HTS) do seu produto antes de tomar decisões.
1. Introdução: por que as tarifas dos EUA exigem atenção das serrarias
Os Estados Unidos estão entre os principais destinos da madeira serrada de pinus, molduras, compensados e painéis brasileiros. Desde meados de 2025, uma sequência de medidas comerciais do governo americano elevou o custo de entrada desses produtos naquele mercado. Para serrarias, exportadoras, fabricantes de painéis e toda a cadeia florestal, entender as tarifas dos EUA sobre a madeira brasileira deixou de ser assunto de comércio exterior e passou a ser questão de planejamento de produção.
⚠ Importante: as medidas mudaram várias vezes desde 2025 e as negociações entre os dois governos continuam. Acompanhe os comunicados do USTR, da CNI, da Ibá e da Abimci.
2. Linha do tempo: o que mudou de 2025 a 2026

| Data | Medida | O que significou para a madeira |
|---|---|---|
| Agosto de 2025 | Tarifa total de 50% sobre produtos brasileiros, com base na lei de poderes econômicos de emergência (IEEPA) | Madeira serrada, molduras, painéis e compensados ficaram muito mais caros nos EUA. A celulose acabou excluída em setembro de 2025. |
| 14 de outubro de 2025 | Tarifas globais da Seção 232 sobre madeira: 10% para madeira serrada e toras de coníferas e 25% para móveis estofados e armários | Atingem todos os países, não só o Brasil. Produtos cobertos pela Seção 232 ficaram fora da tarifa posterior da Seção 301. |
| Fevereiro de 2026 | A Suprema Corte dos EUA invalidou as tarifas baseadas na IEEPA; o governo aplicou uma tarifa global temporária de 10% (Seção 122) | Fim da tarifa de 50%. A tarifa temporária valeu até 24 de julho de 2026. |
| 22 de julho de 2026 | Tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, após investigação da Seção 301 | Atinge painéis (MDF, MDP), pisos laminados, molduras de pinus, papéis e celulose solúvel. Celulose química (fibra curta e longa) e alguns produtos de madeira ficaram na lista de exceções. |
| 23 de julho de 2026 | Anúncio de tarifa extra de até 12,5% para alguns produtos, em investigação sobre trabalho forçado | Para os itens atingidos, a sobretaxa total pode chegar a 37,5%. |
Fontes: USTR, via Greenberg Traurig (jul. 2026); NewsPulPaper com dados da Ibá (jul. 2026); Forbes Agro (jul. 2026); Correio da Manhã (jul. 2026); Thomson Reuters (out. 2025).
2.1 Quais produtos florestais estão sujeitos à tarifa de 25%?
A lista de exceções da Seção 301 é feita por código de produto, e não cobre todo o capítulo 44 (madeira). Por isso, cada item precisa ser conferido. Em linhas gerais:
- Atingidos: painéis de madeira (MDF e MDP), pisos laminados, molduras de pinus, estacas, papéis e celulose solúvel.
- Fora da tarifa de 25%: celulose química de fibra curta e longa, alguns códigos de madeira tropical (toras e serrada), certos compensados, lâminas e pisos de madeira tropical, além dos produtos já cobertos pela Seção 232.
Segundo a Ibá, cerca de 83% das exportações do setor de madeira para os EUA são atingidas pela nova tarifa, contra cerca de 24% no setor de celulose e papel.
Na prática, um produto que chegava ao mercado norte-americano a US$ 400 por tonelada passa a custar US$ 500 com a tarifa de 25%, ou US$ 550 se também incidir a sobretaxa de 12,5%, antes mesmo de frete e margens do importador.
2.2 Como isso afeta as serrarias brasileiras?
As serrarias que exportam para os EUA, ou que fornecem para empresas exportadoras, enfrentam:
- Suspensão de contratos e renegociação de prazos com compradores norte-americanos
- Queda na demanda de produtos de maior valor, como molduras
- Aumento de estoques e risco de perda de qualidade da madeira armazenada
- Pressão nos preços do mercado interno, com o volume redirecionado e redução de margens
- Mais incerteza para investimentos em expansão ou modernização de linhas de produção
Pequenas e médias serrarias são especialmente vulneráveis, pois têm menos acesso a proteção cambial, menor diversificação de clientes e menor poder de barganha na renegociação de contratos internacionais.
3. Entendendo o contexto: por que os EUA impuseram essas tarifas?

As justificativas oficiais mudaram ao longo do tempo:
- Em 2025, a ordem executiva que criou a tarifa de 50% citou ações do governo brasileiro que, segundo Washington, prejudicavam interesses e empresas americanas, em meio a uma disputa diplomática que envolveu também o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. O governo brasileiro contestou as acusações.
- Em 2026, a investigação da Seção 301 conduzida pelo USTR apontou práticas brasileiras em comércio digital, pagamentos eletrônicos, propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e desmatamento. Segundo o USTR, as tarifas ficam em vigor até que essas questões sejam resolvidas.
- As tarifas da Seção 232 sobre madeira têm outra lógica: são globais e foram justificadas pelos EUA como medida de segurança nacional e de proteção da indústria madeireira americana.
Esse cenário indica que o impacto das tarifas pode durar, caso não haja uma solução negociada entre os dois países.
4. O impacto das tarifas em números
Os dados do primeiro semestre de 2026, ainda antes da tarifa de 25%, já mostravam a perda de espaço da madeira brasileira nos EUA:
| Produto (exportações para os EUA) | Variação 1º sem. 2026 vs. 1º sem. 2025 | Fonte |
|---|---|---|
| Painéis de madeira | -50,3% (toneladas) | Ibá |
| Papel | -48,5% (toneladas) | Ibá |
| Madeira serrada | -36,6% (toneladas) | Ibá |
| Madeira compensada | -25,3% (toneladas) | Ibá |
| Pinus serrado | -37% em volume e -41% em valor | STCP |
Considerando todos os destinos, as exportações dos dez principais produtos de madeira monitorados pela WoodFlow somaram US$ 855,2 milhões no primeiro semestre de 2026, queda de 8% em valor sobre o mesmo período de 2025. Para os EUA, a queda foi de 33%. A CNI estima que a tarifa de 25% alcança cerca de 4 mil produtos brasileiros, que somam US$ 11,9 bilhões em exportações.
5. Como mitigar o impacto das tarifas
5.1 Diversificação de mercados internacionais
Buscar novos parceiros comerciais é essencial:
- China e Sudeste Asiático para celulose, painéis e madeira tratada
- União Europeia, com foco em produtos certificados e rastreáveis, de acordo com o regulamento europeu antidesmatamento (EUDR)
- Oriente Médio e Norte da África, que consomem compensados e madeira para construção
- América Latina, para abastecer os setores de construção e mobiliário
Essa estratégia reduz a dependência dos EUA e amplia a base de receita das empresas.
5.2 Investir em tecnologia: a solução Marrari para serrarias
Eficiência produtiva e redução de desperdícios
Com margens menores, cada metro cúbico aproveitado conta. A Marrari Automação oferece tecnologias que otimizam o processo produtivo das serrarias, com destaque para:
- Controle preciso de umidade com os medidores M51, M52 e M55-56
- Automação de estufas para secagem homogênea e segura
- Controle de produção Pro X, com rendimento, paradas e OEE em tempo real
Rastreabilidade e controle fitossanitário
- Registros em tempo real que ajudam a comprovar a origem e o processamento da madeira
- Apoio a processos de certificação FSC e PEFC
- Controle fitossanitário (tratamento térmico) para reduzir o risco de barreiras sanitárias
Valor agregado e inserção em mercados exigentes
- Mais confiabilidade do produto no exterior
- Atendimento às exigências de compradores europeus, asiáticos e de nichos sustentáveis
A tecnologia permite que o produto da sua serraria mantenha padrões internacionais, agregando valor e aumentando sua competitividade mesmo em cenários desafiadores.
5.3 Ação institucional e diplomática
- Apoiar entidades como Abimci, Ibá, CNI e ApexBrasil nas tratativas com o governo americano
- Acompanhar pedidos de exclusão de produtos e as negociações entre os dois governos
- Participar de feiras e rodadas de negócios com compradores de outros países
5.4 Desenvolvimento de novos produtos e segmentos
- Madeira engenheirada (CLT, Glulam)
- Componentes para mobiliário de alto padrão e arquitetura
- Embalagens sustentáveis
- Energia renovável (pellets certificados para a Europa)
6. Conclusão: enfrentar as tarifas com estratégia e inovação
O impacto das tarifas dos EUA sobre a madeira brasileira é real, mas não precisa ser uma sentença para a sua empresa. Com planejamento, diversificação e inovação tecnológica, é possível atravessar esse período de instabilidade.
Serrarias que adotarem tecnologias para eficiência produtiva, rastreabilidade e controle fitossanitário estarão mais bem posicionadas para conquistar novos mercados, melhorar margens e reduzir riscos.
A Marrari se coloca como parceira estratégica para esse novo ciclo, com soluções robustas, suporte técnico qualificado e experiência em dezenas de polos madeireiros no Brasil e na América Latina.
Este é o momento de agir. O impacto das tarifas pode ser enfrentado com conhecimento, tecnologia e colaboração entre o setor produtivo e as entidades.
Referências
- Greenberg Traurig. USTR anuncia tarifas da Seção 301 sobre o Brasil: novas alíquotas de 25% entram em vigor em 22 de julho, jul. 2026. gtlaw.com
- NewsPulPaper. Setor florestal será impactado por novo tarifaço de 25%, jul. 2026. newspulpaper.com
- Forbes Agro. Madeira brasileira perde espaço nos EUA e amplia incertezas para exportadores, jul. 2026. forbes.com.br
- Correio da Manhã. EUA confirma nova tarifa de 12,5% ao Brasil por “trabalho forçado”, jul. 2026. correiodamanha.com.br
- Thomson Reuters. New Section 232 tariffs on imports of timber and lumber, out. 2025. thomsonreuters.com
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