O que a automação pode fazer pela sua serraria — e por que o momento de agir é agora
O setor madeireiro brasileiro é um dos pilares da economia nacional. Segundo dados do IBGE (PEVS 2023), a silvicultura atingiu R$ 31,7 bilhões em valor de produção no Brasil em 2023 — um crescimento de 13,6% em relação ao ano anterior. A madeira serrada segue como um dos principais produtos dessa cadeia, com aplicação direta na construção civil, mobiliário e exportação.
No entanto, por trás desses números expressivos, existe uma realidade operacional que muitas serrarias industriais ainda não superaram: a gestão baseada em dados manuais, imprecisos e descentralizados. Planilhas preenchidas no fim do turno, apontamentos de papel, decisões tomadas no “olho” — práticas que comprometem a produtividade, o rendimento da matéria-prima e a competitividade da operação.
Este artigo explora, com base em dados reais e pesquisas acadêmicas, como a automação e a modernização estão transformando as serrarias industriais brasileiras — e o que sua empresa pode fazer para acompanhar essa evolução.
O cenário atual: onde estão as perdas?
Antes de falar em soluções, é fundamental entender onde a serraria industrial perde dinheiro hoje.
Rendimento da madeira: um problema crônico
Um dos maiores desafios do setor é o baixo aproveitamento da matéria-prima. Estudos acadêmicos apontam variações significativas de rendimento conforme o nível tecnológico da operação:
| Nível tecnológico da serraria | Rendimento médio em madeira serrada |
|---|---|
| Baixo (processo manual) | 42% a 50% |
| Médio (automação parcial) | 50% a 60% |
| Alto (automação avançada) | 60% a 70%+ |
Fontes: CBCTEM (2019); Revista Floresta UFPR (2007); UFSC (2023)
Em termos práticos: uma serraria com rendimento de 42% transforma menos da metade da tora em produto final — o restante vira resíduo. A mesma tora, com melhor controle de processo, poderia render de 15 a 25 pontos percentuais a mais. Isso representa diretamente mais receita com a mesma matéria-prima comprada.
💡 “Grande parte das serrarias ainda possuem um baixo nível de automação, sendo fortemente dependentes de mão de obra. Estima-se que cerca de 24% dos custos industriais estão alocados na mão de obra.” — IBFlorestas, 2023
Paradas não planejadas: prejuízo invisível
Uma pesquisa com serraria de médio porte em Curitibanos (SC), utilizando dados coletados por controlador de produção, revelou que apenas 66,9% das horas-máquina programadas foram efetivamente produtivas e livres de interrupções — com disponibilidade mecânica de 92,8%. As principais causas de parada foram:
- Troca de serras (responsável por 28,6% do tempo de parada)
- Falhas operacionais (interrupções entre 1 e 15 minutos)
- Paradas sem causa registrada
O problema não é apenas a parada em si — é não saber por que ela aconteceu. Sem registro, não há análise. Sem análise, não há melhoria.
O custo do controle manual
Ainda é comum encontrar serrarias operando com registros feitos à caneta, planilhas eletrônicas isoladas e ausência de indicadores em tempo real. Esse modelo carrega riscos concretos:
- Erros de registro que distorcem os relatórios de produção
- Falta de rastreabilidade da matéria-prima ao produto final
- Decisões gerenciais baseadas em dados defasados
- Impossibilidade de comparar turnos ou operadores com precisão
O que é automação industrial em serrarias?
Automação industrial é a integração de tecnologia — sensores, controladores, softwares e sistemas de dados — para substituir tarefas manuais, aumentar a precisão dos processos e fornecer informações em tempo real para tomada de decisão.
No contexto de serrarias, a automação atua em três frentes principais:
1. Controle de produção
Monitora em tempo real as quantidades produzidas, dimensões das peças, qualidade, paradas de máquina e rendimento por operador e turno. Transforma dados brutos do chão de fábrica em indicadores acionáveis para o gestor.

2. Medição e controle de umidade
A umidade da madeira afeta diretamente a qualidade do produto final, o rendimento da secagem e a vida útil dos equipamentos. Sensores em linha permitem ajustes automáticos no processo de secagem, evitando desperdício de energia e rejeição de peças.
Segundo dados da Marrari Automação, a implementação de medidores de umidade automatizados gerou uma redução média de 25% no consumo de energia em serrarias onde foram instalados — resultado direto da secagem mais precisa e menos repetida.

3. Automação de secagem (estufas)
A secagem é uma das etapas mais críticas — e mais caras — do processo produtivo. Estufas automatizadas ajustam temperatura e tempo com base nas leituras de umidade em tempo real, garantindo homogeneidade, qualidade e economia de energia.
“Reduzimos nossos tempos de secagem e também a taxa de perda, que foi muito otimizada. No nível de tempo de secagem, diminuímos em cerca de 20%.” — Cliente Marrari
Os pilares da modernização: o que de fato muda na operação
A modernização de uma serraria industrial vai além de instalar equipamentos novos. Ela representa uma mudança de cultura operacional. Os principais pilares são:
Visibilidade em tempo real
Uma serraria moderna sabe, a qualquer momento, quantos m³ foram produzidos, qual máquina está parada, qual operador está abaixo da meta e qual turno está performando melhor. Essa visibilidade não é luxo — é o mínimo necessário para gestão eficiente.
Rastreabilidade da madeira
Desde a entrada da tora até o produto final, cada etapa deve ser registrada. A rastreabilidade é exigida por compradores internacionais e cada vez mais cobrada pelo mercado interno. Segundo o Crea-MT, Mato Grosso — um dos maiores polos madeireiros do Brasil — possui 609 serrarias registradas e exportou para 61 países em 2023. Em um mercado global assim, rastreabilidade é competitividade.
Indicadores de desempenho (OEE)
O OEE (Overall Equipment Effectiveness) é o principal indicador de eficiência de uma linha produtiva. Ele considera três dimensões:
| Dimensão | O que mede | Exemplo prático na serraria |
|---|---|---|
| Disponibilidade | % do tempo que a máquina está operando | Parada por troca de serra = disponibilidade baixa |
| Performance | Velocidade real vs. velocidade ideal | Linha abaixo da capacidade máxima = performance baixa |
| Qualidade | % de peças aprovadas vs. total produzido | Alto índice de rejeição = qualidade baixa |
Uma serraria com OEE de 65% tem 35% de capacidade produtiva sendo desperdiçada em alguma dessas dimensões. Identificar onde é o primeiro passo para melhorar.
Integração entre turnos e setores
Um dos maiores gargalos em serrarias com múltiplos turnos é a perda de informação na troca de equipes. Sistemas digitais garantem que o histórico de ocorrências, defeitos e paradas esteja disponível para qualquer operador ou gestor, em qualquer turno, sem depender da memória de ninguém.
Automação e sustentabilidade: duas metas que caminham juntas
A sustentabilidade deixou de ser pauta apenas ambiental e passou a ser exigência de mercado. Compradores europeus e norte-americanos demandam cada vez mais documentação sobre origem e rastreabilidade da madeira.
Nesse contexto, a automação não é apenas eficiência operacional. É diferencial competitivo e instrumento de sustentabilidade.
Segundo dados da Marrari Automação, a implementação de controladores de produção em serrarias resultou em redução de aproximadamente 30% no desperdício de madeira em comparação com operações manuais — benefício direto tanto para o resultado financeiro quanto para a pegada ambiental da empresa.
A Federação Internacional de Robótica (IFR) também aponta que a automação industrial pode aumentar a produtividade em até 30%, mantendo qualidade consistente ao longo de toda a produção.

Como começar: da gestão manual à digital em etapas
A modernização não precisa — e muitas vezes não deve — acontecer de uma só vez. Um caminho estruturado reduz riscos e facilita a adoção pela equipe:
| Etapa | Ação | Resultado esperado |
|---|---|---|
| 1. Diagnóstico | Mapear perdas atuais: rendimento, paradas, rejeição | Identificar os maiores gargalos |
| 2. Instrumentação | Instalar sensores de umidade e contagem de peças | Dados brutos em tempo real |
| 3. Controle de produção | Implementar sistema de apontamento digital | Rastreabilidade e histórico confiável |
| 4. Indicadores | Ativar dashboards de OEE por máquina e turno | Tomada de decisão baseada em dados |
| 5. Integração | Conectar dados ao ERP ou sistemas corporativos | Visão 360° da operação |
O que sistemas especializados para serraria oferecem hoje
Diferente de soluções genéricas de gestão industrial, existem hoje sistemas desenvolvidos especificamente para o processo de serrarias — considerando as particularidades do desdobro de toras, a variação de espécies e diâmetros, e a dinâmica de múltiplos turnos e operadores.
Esses sistemas são capazes de:
- Coletar dados automaticamente, por setor, máquina ou operador
- Registrar defeitos, paradas e rendimentos de forma padronizada
- Organizar ordens de produção, turnos e tipos de produto
- Gerar relatórios instantâneos e personalizáveis
- Oferecer acesso remoto via computador ou celular
- Calcular OEE em tempo real, com alertas de desempenho abaixo da meta
Um exemplo aplicado na realidade industrial brasileira é o Pro X da Marrari — controlador de produção desenvolvido especificamente para serrarias, com compatibilidade com sensores de umidade, integração com ERP e interface projetada para o ambiente industrial.
“Com ferramentas inovadoras, sensores precisos e relatórios, foi possível aumentar a produção e gerenciar o processo como nunca antes.” — Adriano Tunisky, Coordenador de Serraria, Tesser Madeiras

Conclusão: modernizar é uma decisão estratégica, não apenas técnica
A automação e a modernização de serrarias industriais não são tendências distantes — são realidades acessíveis e com retorno mensurável. Serrarias que medem bem, controlam melhor. Serrarias que controlam melhor, desperdiçam menos. E serrarias que desperdiçam menos, crescem com mais consistência e competitividade.
O caminho começa com uma pergunta simples: você sabe, agora, o que está acontecendo na sua linha de produção?
Se a resposta for “não com precisão”, é o momento de rever seus processos.
Referências
- IBGE. Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) 2023. Agência de Notícias IBGE, 2024.
- BASTOS, S. L. S. Desempenho operacional de serraria de médio porte. UFSC — Campus Curitibanos, 2023.
- IBFlorestas. Rendimento na conversão de tora em madeira serrada, 2023. Disponível em: ibflorestas.org.br
- FAGUNDES, H. A. V. Produção de madeira serrada e geração de resíduos. UFRGS, Porto Alegre, 2003.
- CBCTEM. Quantificação de resíduos madeireiros de uma serraria, 2019.
- Revista Floresta UFPR. Rendimento em madeira serrada, v. 37, n. 1, 2007.
- CNI / ABDI / FGV. Sondagem sobre Transformação Digital das Empresas, 2023.
- Federação Internacional de Robótica (IFR). World Robotics Report, 2023.
- Crea-MT. O setor madeireiro de Mato Grosso, 2024.
- Marrari Automação. Case Tesser Madeiras — Controle fino de produção. Disponível em: marrari.com.br
Leituras complementares no blog Marrari
- Por que digitalizar a produção da sua serraria?
- 8 dicas de como aumentar a eficiência da serraria
- Como a automação se converte em sustentabilidade
- Controle e automação melhoram a eficiência da serraria
- Pro X — Controlador de Produção para Serrarias