Geral: A Ociosidade das Indústrias Brasileiras

Temos falado, e muito, sobre a Indústria 4.0 e a Sociedade 5.0 arrastando consigo a prática da economia compartilhada. Parece-me verdadeiramente que isso acontece no mundo de maneira bem evidente: colaboradores da Ford usando cobôs exoesqueletos para produzir 9x mais; Heineken e Volkswagen usando impressão 3D para produção de peças programadas digitalmente; Uber, Airbnb, Quinto andar e tantas empresas providenciando posse temporária funcional ao invés de propriedade de ativos dispendiosos como carros e imóveis…

Sim, poder-se-ia dizer que, na média, é este o caminho trilhado pela humanidade. Mas… e se depois de dar uma olhada no contexto global, dermos um zoom no Brasil? Estamos movimentando os ativos parados? Estamos destinando o que está parado em casa, no escritório e, o mais importante, na indústria, para que estes itens e pertences participem da economia? Temos realizado simbiose industrial?

Não é o que nosso histórico tem mostrado nas últimas décadas. Nos gráficos abaixo, é possível verificar:

  • Decrescente participação do setor industrial no PIB (Figura 1)
  • Ociosidade industrial maior que 20% desde 2016 (Figura 2)
Figura 1 – Histórico da participação da indústria de transformação no PIB.
Figura 1 – Histórico da participação da indústria de transformação no PIB.
Figura 2 - Histórico do índice UCI (Utilização de capacidade instalada) da indústria de transformação brasileira.
Figura 2 – Histórico do índice UCI (Utilização de capacidade instalada) da indústria de transformação brasileira.

Fontes: CNI (Confederação Nacional da Indústria) e FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Colocado este cenário bastante pessimista então, quais seriam nossas providências – nós, que estamos entregando tais resultados dentro do setor industrial – para mostrar gráficos de histórico crescente de participação no PIB e utilização da capacidade instalada nos próximos anos? É necessário adquirir robôs e cobôs, subir todo o Big Data para a nuvem e usar impressão 3D na produção industrial? Muitas vezes, este passo soa como que largo demais

Mesmo que trazendo um mundo novo, a quarta Revolução Industrial segue em busca da solução de problemas que já conhecemos. Há muitos pequenos passos para dar neste meio de caminho entre o agora e os grandes conceitos da indústria 4.0, listados a seguir de maneira simples:

  • Diminuir número de paradas;
  • Aumentar velocidades de produção;
  • Diminuir índice de retrabalho;
  • Aproximar-se da produção lean;
  • Diminuir quantidade de refugos e
  • Segurança e registro de todos os parâmetros do processo.

A Marrari vem, há 30 anos, participando destas soluções com automação, otimização de processos e controle de qualidade nos processos industriais. Resolver os problemas de sempre colabora para que caminhemos na direção de índices de UCI mais proveitosos. Diminuir a ociosidade industrial não é tarefa apenas para quem é 4.0 e a solução da ociosidade industrial não é busca exclusiva do conceito de economia compartilhada. Esta é tarefa passível de ser realizada por indústrias que já são e pelas que se tornarão 4.0, cedo ou tarde.

Autor:

Elisa Pizzaia Goltz

Engenheira Industrial Madeireira (UFPR, 2014)

Mestre em Engenharia Florestal (UFPR, 2018)

Gerente de qualidade/técnica do laboratório Umilab na Marrari Automação


2 respostas para “Geral: A Ociosidade das Indústrias Brasileiras”

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